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Cases

Atelier HOF: como dobramos o ticket médio em 8 meses

A história real de como uma clínica de SP usou CRM, plano de tratamento digital e portal do paciente para dobrar seu resultado.

Por Equipe DentaNexa·01 de abril de 2026·10 min de leitura

Este case é uma narrativa baseada em padrões reais observados em clínicas HOF que reestruturaram operação. Nome, dados específicos e identidade do estabelecimento foram modificados ou aproximados para preservar confidencialidade. As métricas, contudo, refletem ordens de grandeza factíveis quando os processos descritos são bem implementados.


Setembro de 2025 — o ponto de partida

O Atelier HOF é uma clínica boutique localizada nos Jardins, em São Paulo. Três salas, quatro profissionais — dois cirurgiões-dentistas sócios, uma especialista em harmonização orofacial e uma ortodontista — e uma equipe administrativa de cinco pessoas. Posicionamento claro desde a fundação: estética avançada, HOF e tratamentos de alto valor agregado para um público feminino entre 32 e 55 anos, classe A.

No fim de 2025, a sócia gestora do Atelier procurou consultoria com um diagnóstico que ela mesma resumiu em uma frase: "estamos cheios de paciente e o resultado financeiro não anda". Os números abaixo confirmavam:

O diagnóstico foi cruel mas claro: a clínica atraía bem, mas vazava em todas as etapas. Lead chegava, virava agendamento, virava primeira consulta. Da primeira consulta para o plano aprovado, perdia mais da metade. Do plano aprovado para o tratamento concluído, perdia mais um terço. Do tratamento concluído para o retorno como paciente recorrente, perdia praticamente todos.

Outubro de 2025 — o que foi feito nos primeiros 30 dias

O plano de reestruturação começou pela parte mais barata e mais ignorada: organização da informação. Antes de mudar qualquer técnica de venda, qualquer roteiro de atendimento, qualquer canal de marketing, foi preciso enxergar a clínica em números reais.

Ação 1: Migração de planilhas e WhatsApp para CRM real

A clínica operava CRM em planilhas Excel mantidas pela secretária comercial. Lead vinha do Instagram, era anotado em uma aba; vinha de indicação, em outra; vinha de Google Ads, em outra. Conversão era estimada de cabeça. Origem era declarada pelo paciente na recepção, sem rigor.

A migração para um CRM odontológico estruturado, com kanban por temperatura (frio, morno, quente, contratado), origem rastreável via UTM, responsável por lead e próximo contato agendado, levou 21 dias. Não foi sofisticado — foi básico. Mas foi a primeira vez que a clínica viu, em uma única tela, quantos leads tinha em aberto, há quanto tempo cada um estava sem contato, e qual fonte realmente convertia.

Ação 2: Padronização da primeira consulta

A primeira consulta no Atelier durava entre 25 e 60 minutos, dependendo do profissional. Não havia roteiro. Em alguns casos terminava sem documentação fotográfica. Em outros, sem anamnese estética estruturada. Em quase todos, sem nenhum compromisso assumido pelo paciente — nem mesmo o agendamento da apresentação de plano.

A nova primeira consulta foi padronizada em 50 minutos exatos, com seis blocos:

  1. Acolhimento e escuta ativa do objetivo do paciente (10 min).
  2. Anamnese estética estruturada — perguntas calibradas para HOF (8 min).
  3. Exame clínico e fotográfico padronizado (15 min).
  4. Diagnóstico explicado em linguagem do paciente (10 min).
  5. Apresentação prévia de possibilidades, sem valor (5 min).
  6. Agendamento da apresentação de plano completo (2 min).

Novembro de 2025 — apresentação de plano vira experiência

Esta foi a mudança que mais elevou conversão. O plano de tratamento, antes entregue em PDF impresso na recepção ao final da segunda consulta, virou apresentação digital interativa com cinco elementos:

Em quatro semanas após implantação dessa apresentação digital, a taxa de conversão de plano subiu de 38% para 54%. Em três meses, estabilizou em 67%.

Quando o paciente saiu da clínica com um link no WhatsApp para revisar o plano em casa, voltou em vez de "pensar" — e voltou para fechar.

Dezembro de 2025 — portal do paciente e experiência premium

Em dezembro, foi implementado o portal do paciente. Cada paciente do Atelier passou a receber, ao se cadastrar, login e senha gerados pela clínica para acessar:

A reação dos pacientes foi imediata e mensurável. Net Promoter Score subiu 28 pontos em 60 dias. Indicações qualificadas — pacientes novos vindos de indicação direta — dobraram em três meses. E mais surpreendente: o portal reduziu volume de mensagens à recepção em 40%, porque o paciente passou a se autoatender em consultas, exames e segunda via de documentos.

Janeiro a abril de 2026 — refinamento e escala

Os primeiros três meses estabilizaram processos. Os três seguintes refinaram:

Régua de relacionamento estruturada

Cada paciente passou a receber comunicação programada via WhatsApp e e-mail em pontos-chave: 24h antes da consulta (confirmação), 24h após procedimento (cuidados pós), 7 dias após procedimento (acompanhamento), 30 dias antes da revisão semestral (agendamento). Tudo automatizado, com texto curado pela equipe e tom alinhado à marca.

O efeito: queda do no-show de 14% para 6%, retomada de pacientes inativos (revisão semestral) saltou de 22% para 71%.

Programa de manutenção HOF

Foi criada uma assinatura mensal — Atelier HOF Care — que inclui revisão trimestral, retoque preventivo de harmonização, sessão de clareamento semestral e prioridade de agenda. Adesão de 38% dos pacientes ativos no primeiro trimestre. Receita recorrente passou a representar 31% do faturamento — um colchão financeiro que a clínica nunca havia tido.

Treinamento contínuo da equipe comercial

Sessão quinzenal de 90 minutos, sempre na sexta-feira, revisando casos da semana — apresentações que converteram, apresentações que não converteram, e o porquê. A análise era feita com gravação de áudio (consentida) das apresentações, com foco em momentos de inflexão — quando o paciente disse "vou pensar", o que aconteceu antes?

Maio de 2026 — os números depois de oito meses

O ticket médio dobrou. Não porque a clínica subiu preços — os preços foram reajustados em 8% no período, em linha com inflação setorial. Dobrou porque os mesmos pacientes passaram a comprar mais procedimentos por ano, ficar mais tempo, indicar mais e abandonar menos.

O que o Atelier HOF aprendeu — e o que outras clínicas podem replicar

  1. O problema raramente é falta de paciente. É falha de processo entre etapas do funil.
  2. Tecnologia sozinha resolve pouco. O que muda resultado é processo e treinamento funcionando juntos.
  3. Apresentação de plano é a alavanca de maior impacto financeiro, e a mais fácil de melhorar.
  4. Portal do paciente não é luxo — é parte do produto que a clínica vende. Quando falta, o paciente sente.
  5. Receita recorrente blinda a clínica. Sem ela, todo mês começa do zero.

Para sua clínica

A reestruturação do Atelier HOF não exigiu investimento elevado. Exigiu decisão. Foram oito meses de execução disciplinada — e os resultados começaram a aparecer já no segundo mês.

Se sua clínica está cheia de paciente mas com resultado financeiro abaixo do que poderia, o caminho é semelhante. Não há atalho, mas há método.

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◦ SOBRE O AUTOR

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